Carmilla: A vampira de Karnstein
O Vampiro, de John William Polidori
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Compre agora por R$ 34,99
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Narrado por:
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Stella Vargas
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De:
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Sheridan Le Fanu
Essa edição traz a primeira vampira da história e também a primeira história de vampiro já escrita em projeto gráfico especial, com curiosidades sobre as obras e os autores. Carmilla é uma obra precursora da temática de vampiros, considerada por muitos críticos como a melhor do século XIX, pela maneira como trabalha o suspense e o erotismo. Foi a partir dela que Drácula, de Bram Stoker, recebeu suas principais características. A vampira de Karnstein se torna o motivo dos horrores e depois do desejo profundo de Laura, uma jovem que vive somente na companhia do pai em um castelo isolado no Leste Europeu. O Vampiro, de John William Polidori, concretizou as lendas folclóricas sobre vampiro e deu a ele a cara que tem ainda hoje: um demônio aristocrata que ataca entre a alta sociedade.
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©2022 Editora Pandorga (P)2026 Audible, Inc.simplesmente esplêndido
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Este audiolivro não foi minha primeira vez consumindo a obra; pouco mais de um ano atrás li ela pela primeira vez numa edição física em capa dura que mantenho em minha coleção pessoal com alegria, já que adoro o tema de vampiros e literatura gótica, tendo eu mesma já escrito uma novela com o tema, além, claro, do fato o qual mais para frente irei comentar em detalhes, de que “Carmilla” e a figura da vampira de mesmo nome acabou se tornando um ícone sáfico que veio ganhando mais reconhecimento nos últimos anos dentro de comunidades lésbicas e comunidades sáficas em geral, e foi uma magnífica experiência consumi-la de novo, uma segunda vez, porém agora em áudio, com a narração, devo dizer, incrível, da Stella Vargas, a qual realmente caprichou nas interpretações dos personagens.
“Carmilla: A Vampira de Karnstein” é uma novela de terror e mistério gótico narrada na primeira pessoa da protagonista, Laura, que nos relata o que a houve nos primeiros anos de sua juventude, em seu passado, quando, após perder uma futura amiga a qual estava ansiosa para conhecer, o destino a presenteia com Carmilla, uma aparente jovem extremamente bela que se apaixona por nossa narradora, mas que mantém consigo diversos segredos sobre si, sua origem e sua família, todos dos quais nos são revelados ao longo da obra.
Gosto muito de como tudo nesse livro é feito para se encaixar e cumprir perfeitamente seu papel; as personagens mais secundárias como a madame Perrodon e a mademoiselle De Lafontaine, e até mesmo o próprio pai de Laura, que tem um papel um pouco maior que o delas, mostram sua personalidade, sua presença e terminam a obra depois de realizarem tudo o que foram projetados para realizar; a protagonista, Laura, é uma narradora excelente e uma personagem excelente que não simplesmente reage às situações, mas faz muito também na medida exata de ação que uma personagem como ela precisaria ter, especialmente com relação à personagem da Carmilla, nossa vampira que dá nome à novela, ameaça final e ao mesmo tempo paixão da protagonista, ainda mais apaixonada pela mesma, da qual juntas possuem uma química espetacular, extremamente envolvente e absurdamente real, em uma história com pontos projetados para se encontrarem num mesmo objetivo em seu final, conversando com seus foreshadowings, mas mantendo propositais pontas soltas pela simples arte do espetáculo que é essa história!
Com tudo isso, sou obrigada a falar daqueles que, ao meu ver, são o ponto mais forte e o ponto mais fraco da novela, e que se contrapõem entre si; o ponto mais forte é um que já citei: a extraordinária química entre Laura e Carmilla. Preciso sinalizar, claro, que eu, como mulher lésbica, acabo sendo mais sensitiva a essas coisas, mas é de se cair o queixo cada fala apaixonante que Carmilla lança para Laura, cada gesto, cada carinho, cada beijo, dos quais, ao lembrarmos que é a própria Laura contando desses acontecimentos, se tornam tão vívidos, de forma a qual sentimos o medo da atração vindo dela em seus comentários, que não escondem o quanto ela achava Carmilla estupidamente atraente, mas que ao mesmo tempo sentimos o tanto que ela se segura para não falar mais; algo que acontece de forma parecida com a própria Carmilla, mas que, diferente de Laura, não tem o medo de verbalizar seu desejo por ela, de verbalizar que está apaixonada, e de demonstrar ambas as coisas, algo que, jogando toda a minha vergonha da cara na vala por aqui, dá um baita de um tesão!
Mas agora, o ponto mais fraco da história, aquele que, apesar de merecer seus elogios, particularmente me decepciona: o final. No final da história, o general Spielsdorf, tio e pai de coração da jovem falecida a qual Laura relata ter prometido amizade no início da obra, surge completamente obcecado por vingança àquela que tirou sua filha dele: uma jovem chamada Millarca, a qual se revelou um monstro, e que pelo que Laura estava passando naquele momento da obra, se marca como sendo Carmilla, que, por sua vez, é a supostamente falecida condessa Mircalla Karnstein, que na verdade é uma vampira de mais de cem anos, que se aproxima de belas jovens, as encanta, e por fim as assola até o fim breve de suas vidas, e isso tudo é um baita plot-twist, muito bem feito, mas que tem uma conclusão apressada, onde Carmilla é morta após uma pequena exposição de seu passado citando um envolvimento, honestamente bem forçado, dela com um antepassado do barão Vordenburg, e Laura é salva do fim de sua vida, sem muita cerimônia e sem uma despedida digna das duas, algo que me decepciona profundamente a alma.
No mundo perfeito, Laura e Carmilla teriam ficado juntas, mas no mundo ideal, Laura teria morrido por sua paixão, e é isso o que eu realmente queria ver! Entretanto, nenhum desses é o nosso mundo, nenhum desses é o final da história, e o máximo que tive foi uma menção da já mais velha Laura, quem nos narra, a situações em que ela acredita escutar os passos de Carmilla próximos a ela, mesmo tendo-se passado mais de uma década dos acontecimentos... O que não é o suficiente pra mim!
Há muito o que dá para se refletir com “Carmilla” sobre o mundo como ele era na época em que a novela foi publicada; Carmilla/Millarca/Mircalla é uma vampira que usa da proximidade e da paixão, uma paixão proibida, paixão por outras mulheres, para ser aterrorizante, para representar o pecado, algo que, para o século XIX, era o suco do terror, da proximidade com “o demônio” que essas obras buscavam trazer com suas criaturas, e isso é algo de acerto certeiro em “Carmilla” que me faz teorizar sobre o final, porque ele soa muito mais como um final ideal para os olhos do mundo daquela época, mas pela pressa não parece ter sido o final original idealizado.
Talvez, se Le Fanu fosse mais corajoso, ele tivesse feito a Laura demonstrar e verbalizar mais sua atração por Carmilla, talvez ele também faria a Carmilla ir além com suas investidas, e talvez também, por essas e outras coisas, o final de “Carmilla” poderia ser aquele final ideal imaginado por mim, sem um fim apressado para a condessa e sem uma história de fundo repentina que conta do envolvimento dela com um homem quando durante toda a novela ela demonstra unicamente interesse em jovens damas..., ou talvez eu apenas seja uma lésbica triste por uma história muito boa de vampiros escrita no século XIX não ter tido o “final lésbico” que eu queria que tivesse...
No fim, “Carmilla”, de Sheridan Le Fanu, além de entregar muito para o que vemos como a figura do vampiro nos tempos modernos, também diz muitíssimo sobre o mundo como era na época em que a novela foi publicada, tanto pelo que há de fato na obra e no que ela quer nos mostrar e dizer, quanto pelo que houve com ela depois, ofuscada por conta dessas mesmas coisas, dessa mesma “veia queer” que pode ter afastado leitores e editoras da época, quando uma jovem bela dama se atrair por outra jovem bela dama era visto como algo demoníaco e sobrenatural, por consequência afastando a obra também de um público mais geral, o que resultou em “Drácula”, de Bram Stoker, publicado em 1897, ainda que muito inspirado por “Carmilla”, tenha se destacado muito mais e se tornado a principal referência mundial de qualquer história de vampiros até os tempos modernos.
Fico muito feliz, entretanto, que nos últimos anos “Carmilla” venha sendo redescoberta e reconhecida pelo público, e abraçada principalmente por nós da comunidade sáfica/lésbica como uma obra com uma figura que nos representa com orgulho, afinal, é uma sensação muito legal dizer que uma das primeiras vampiras da ficção, criada antes mesmo do Drácula, era uma que se atraía por mulheres.
A mais importante e injustiçada obra de vampiros
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