Doutor Fausto Audiolivro Por Thomas Mann, Herbert Caro, Jorge de Almeida capa

Doutor Fausto

A vida do compositor alemão Adrian Leverkühn narrada por um amigo

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Doutor Fausto

De: Thomas Mann, Herbert Caro, Jorge de Almeida
Narrado por: Camilo Schaden
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O romance fáustico de Thomas Mann em nova edição revista, com tradução de Herbert Caro e posfácio de Jorge de Almeida. Último grande romance de Thomas Mann, Doutor Fausto foi publicado em 1947. O escritor fez uma releitura moderna da lenda de Fausto, na qual a Alemanha trava um pacto com o demônio — uma brilhante alegoria à ascensão do Terceiro Reich e à renúncia do país a sua própria humanidade. O protagonista é o compositor Adrian Leverkühn, um gênio isolado da cultura alemã, que cria uma música radicalmente nova e balança as estruturas da cena artística da época. Em troca de 24 anos de verve musical sem paralelo, ele entrega sua alma e a capacidade de amar as pessoas. Mann faz uma meditação profunda sobre a identidade alemã e as terríveis responsabilidades de um artista verdadeiro.

©2025 Thomas Mann (P)2025 Editora Schwarcz S.A.
Ficção Literária Gênero Ficção
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Aprendi, ao ler contos diversos, que a literatura de um país tem o peso de seu clima. Por isso, mais leve na França provençal do que na Alemanha, o que é de se esperar.
Inclusive, e mudando um pouco de assunto, tudo está a indicar que esse negócio de vender a alma ao Bicho Ruim, em troca de favores variados, está virando moda, especialmente nos países do norte, tais como na Alemanha e na velha Albion, a começar por Göethe (que também elegeu um Doutor Fausto para a tarefa, mas que era médico), passando por Oscar Wilde (que optou por Dorian Gray, que comprou a eterna juventude, enquanto seus pecados seguiam, todos, para uma tela que o retratava), até chegar, por ordem cronológica, ao Doutor Fausto ora comentado, que vem a ser um músico de nome Adrian Levenkün, já famoso, porém ambicioso.
Desnecessário dizer que todos os envolvidos, ou tiveram morte violenta, ou acabaram no hospício, o que prova que não é bom negócio transacionar com estranhos.
Já nos países mais ao sul, como é o caso de Portugal, aqui citado como exemplo puramente aleatório, nos deparamos com romans noirs (ou romances góticos, porque sua temática envolve, sempre, o sobrenatural), como é o caso da Dama Pé de Cabra, do excelente Alexandre Herculano, nos quais o empenho do candidato é bem menor e tem consequências menos gravosas, isto, é claro, se forem desconsideradas as obras deste último que descrevem, como ninguém, as virtudes militares de Dom Affonso Henriques, que lutou pela independência do então Condado Portucalense, nos idos do sec. XII, o que é contado em Eurico, o Presbítero e no Monge de Cister, duas obras imperdíveis. Também adorei ler, do mesmo Herculano, A História da Inquisição em Portugal, a História de Portugal e os contos. Penso que, junto com Eça de Queiroz, é o melhor que a literatura lusitana em prosa deu ao mundo. Já em poesia, tem o velho bardo Camões, que, a fim de poder melhor se dedicar à sua arte, descolou junto ao governo o mui "atarefado" cargo de chefe do departamento de mortos e desaparecidos da Índia, o que quase o igualava a Sthendal (que era embaixador na Itália e, à mingua do que fazer, passava seus dias catando manuscritos medievais junto a alfarrabistas locais, nos quais se inspirava para criar obras primas, tais como a Cartuxa de Parma e os Contos Italianos), já que morto e desaparecido nunca volta pra reclamar de nada, menos ainda naquele fim de mundo...
Bem, dentro do escopo do presente comentário, acho que o pequeno passeio acima, ainda quando possa não ter grande sentido, serviu para apresentar ao dileto público que me lê autores de grande importância, cujas obras - todas elas consagradas pela crítica mundial- merecem ser visitadas: Göethe, Oscar Wilde, Alexandre Herculano, Eça de Queiroz, Camões e Stendhal, além de promover uma clássica "encheção de linguiça", neste momento necessária, ante a falta de inspiração de quem vos escreve.
Agora, retomando o caminho, tenho que a obra aqui em questão é grande, tanto pelo seu aspecto estrutural, como já se leu na Montanha Mágica - romance ambientado em Davos, na Suíça, onde o protagonista, irritante, além de não fazer nada na vida, além de repousar em um sanatório como só fazem naquele aprazível pais e chatear a pobre companheira de insanidade -, quanto pelo que revela de conhecimento musical - ainda que contando com a preciosa ajuda de especialista, no caso Schönberg, criador do dodecafonismo e da música atonal (coisa um pouco complicada, mas que se resume da forma seguinte: as músicas, até então, eram compostas com base numa determinada escala - de Ré, por exemplo- , nota essa que dava uma "base" para a melodia, criando tensão sempre que a música dela se afastava, e que se resolvia com o retorno à mesma. E, a partir de Schönberg, eliminou-se tal "base", com o surgimento da música dita atonal, bem estranha por sinal. Inclusive, o próprio compositor "sofria de triscaidecafobia, que é o medo do número 13. Ironicamente ele nasceu dia 13 de setembro e morreu dia 13 de julho, às 23h47min, 13 minutos antes da meia-noite, numa sexta-feira 13", o que é mais do que muito estranho, segundo apurei no Prof. Google), que após sua publicação reclamou, formalmente, que o autor a reconhecesse publicamente - e também da história contemporânea da Alemanha nazista.
É, como eu já disse, uma obra de fôlego. A tecitura do texto é perfeita, ao contrário do que se vê no comentário de hoje.
Vale a pena o peso.
Dario Ribeiro

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