El túnel
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Narrado por:
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Leandro Dugatkin
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De:
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Ernesto Sábato
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imperdivel
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Em resumo, acho que foi o que vi no livro; só isso, mesmo porque confesso não ter chegado ao fim (o que é um direito de todo leitor, caramba).
Muito psicológico, a ponto de interessar intelectuais chatissimos, do nível de Camus! Em nada me lembra a obra autobiografica Antes do Fim, cuja leitura foi levada a cabo de um só fôlego, e sob uma catadupa de lágrimas provocadas pela emoção e, sobretudo, pela afinidade com as vivências do autor.
Menos ainda os monumentais Diálogos que manteve com Borges, talvez um dos 10 melhores livros que já li, e lá aprendi, com o autor, que a alma do ser humano tem a beleza de um templo grego, ainda que já esteja destruído pelo tempo. É que, nesse caso, ela reflete em si a arte que traz cada um dos pedaços espalhados pela grama, que são, eles próprios, obras de arte.
Isso me fez pensar muito num detalhe importantíssimo, que sempre pautou minha concepção de vida: é que nós somos seres multifacetários, como aquelas bolas feitas por uma infinidade de pedacinhos de espelho, que enfeitam as boates, e nosso objetivo, na vida- segundo a MINHA concepção- é preencher, com conhecimento, a maíor parte deles.
Isto é fundamental, para que não sejamos pessoas bitoladas, isto é, não consigamos abrir minimamente o enorme leque que a vida nos oferece.
Por exemplo, um advogado não precisa- nem deve- se limitar a preencher apenas um dos lados da bola com os seus conhecimentos técnicos, deixando o restante em branco. Esse equívoco é muito comum, e o leva a uma total pobreza de espírito. O interessante, pois, é tentar, através da leitura, viagens, interesses variados, aumentar essa extensão, ampliando toda a área que permanece livre. Ai, sim, a pessoa estará realizando o que Nietzsche chamava de "grande estilo", quer dizer, vivendo a vida na sua mais ampla extensão.
Mas vamos além, dando um rápido passeio pela literatura Argentina, que é rica.
A começar por Borges, sua estrela maior. Afinal, que mais dizer sobre quem, na minha opinião, apresenta a maior concentração de erudição-real ou fantástica-por página escrita? É um mestre no estilo e no conteúdo, cuja obra completa merece ser visitada, estando seus contos completos disponíveis na Audible.
Chamo a atenção do leitor para O Aleph, que é a sua obra prima - para mim- , que fala de um lugar mágico, sob a escada da casa de uma amiga, em Palermo, aonde ele se aboletava e podia ver e ouvir tudo o que se dava-e se deu-em todos os lugares do mundo, ao mesmo tempo. A narrativa, ponto alto da obra, é tão eletrizante quanto a de H. G. Wells em sua A Máquina do Tempo.
Um mestre na literatura fantástica, deve-se ler sua obra completa, inclusive o curso de literatura inglesa, que foi por ele ministrado na Universidade de Buenos Aires e anotado, à mão por um aluno, posteriormente virando livro.
Também há grandes escritores na Argentina, como Ricardo Guiraldes, que, nos idos de 1910 escreveu um dos maiores clássicos da literatura criolla (ou seja, nativa, nãotendo, a palavra, nadaa ver com "crioulo"), quando descreveu o gaúcho em Dom Segundo Sombra, que se tornou uma referência nacional no tema, cuja leitura é mais do que recomendada, de preferência nas dependências da Estância La Porteña, que pertenceu a ele, e que recebe visitantes regularmente, ficando a uns 100 kms de Buenos Aires, em San Antônio de Areco.
Também não se pode esquecer do poema nacional intitulado Martin Fierro, de __, que descreve as desventuras dos nativos, após a chegada dos espanhóis, mas que é uma obra chata para encarar, igual que ___, de Sarmiento, com o mesmo objeto.
Mas há muita coisa boa por lá, tais como as obras de Ricardo Pi___, cujo conto ___ não deve nada a Jack London, na descrição de uma luta de boxe.
Autores contemporâneos de Borges, especialmente Sylvina Ocampo, bela mulher à frente do seu tempo, assim como coletâneas feitas por Borges e seu grande amigo Bioy Casares, merecem uma visita, com carinho, não menos do que as várias obras em que se conta a história do tango.
Aliás , "ser um borgeano" é um privilégio para poucos, notadamente para os que praticam a arte da causerie, que vem a ser uma técnica de conversão criada na França do século XVIII, para estimular os salões literários, que estavam na moda, já que a televisão ainda não havia sido inventada.
Mas estou certo de que o meu escasso conhecimento da sublime arte literária seja o responsável pelo meu desinteresse. O certo é que, na minha opinião, falta interesse na trama, que se desenrola de forma excessivamente corriqueira, não conseguindo prender minha atenção.
Não nego a maestria do autor, agraciado com o prêmio Cervantes, pela Academia de Espanha. Apenas, não gostei do livro.
Dario Ribeiro
O engenheiro que optou por construir frases
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