Mitos Yorubás Audiolivro Por José Beniste capa

Mitos Yorubás

O outro lado do conhecimento

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Mitos Yorubás

De: José Beniste
Narrado por: Rosivanita Viana
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Sobre este título

Em narrativas fluentes, José Beniste apresenta lendas que esclarecem o complexo universo mítico do Candomblé.

Mitos Yorubás é a mais recente obra do autor consagrado pela qualidade de suas pesquisas e trabalhos sobre a Cultura Religiosa Afro-Brasileira (como As Águas de Oxalá, Jogo de Búzios e Órun-Àiyé: O Encontro de Dois Mundos). São 34 histórias, acompanhadas de notas explicativas no final de cada uma, que abordam exemplos de vida, orientações éticas e disputas de poder, e cujos personagens são os diversos Orixás do panteão africano.

Beniste explica em detalhes por quê: Erinlé só se veste de couro; os assentamentos de Omolu e Exu têm que permanecer no tempo, ou seja, do lado de fora, ao ar livre, diferentemente de outros Orixás, que necessitam de uma “casa” só deles para serem reverenciados; o carneiro é a comida votiva de Xangô, mas é repelido por Yansam. Os mitos esclarecem também como a Terra foi criada e por que Oxalá recebeu este título; explicam a importância e o perigo de Iya mi Oxoronga e do culto Egungun; decifram a história completa do Xangô e a sua disputa com Ogum pelo amor de Oya; revelam o porquê da obrigação de Exu em ter de fiscalizar os axés, provocar Orunmilá e criar conflitos entre Yemanjá, Oxum e Yansam.

Com Mitos Yorubás, José Beniste oferece ao ouvinte histórias deliciosas e encantadas, com seu estilo didático único, que segue a linha de publicações que se obrigam a ser claras e fluentes, tornando assim o autor bastante expressivo nos meios religiosos como um participante íntegro e pesquisador altamente conceituado do Candomblé.

©2006 José Beniste; 2021 Editora Bertrand Brasil Ltda. (P)2023 Audible, Inc.
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O livro é bom, mas até certo ponto. José Beniste, ogã e historiador iniciado no Candomblé Kétu desde 1984, construiu uma obra com méritos inegáveis, mas também com limitações significativas que precisam ser reconhecidas.

As primeiras 50 páginas, que abordam a questão antropológica e sociológica dos mitos religiosos, são realmente muito boas. Beniste demonstra competência ao fundamentar teoricamente o que será trabalhado. A contextualização inicial é sólida, bem referenciada e mostra que o autor compreende a importância dos mitos como estruturas narrativas que organizam cosmologias e práticas religiosas. É o tipo de introdução que prepara adequadamente o leitor.

No entanto, os mitos em si ficam medianos. Não me entendam mal — o livro está bem escrito e o yorùbá está muito bem trabalhado. Beniste domina o idioma e as terminologias. Além disso, no final de cada mito há notas explicativas, demonstrando preocupação pedagógica. É um ótimo livro para o candomblé brasileiro e outras práticas diaspóricas.

Mas aqui está o problema central: não é um livro sobre mitos yorùbá propriamente ditos. É um livro sobre adaptações brasileiras de narrativas de origem yorùbá. Este é o ponto!

Muitos mitos são adaptações abrasileiradas dos ìtàn yorùbá. Isso não seria problemático se o livro fosse honesto sobre essa condição desde o título. O candomblé brasileiro é uma religião legítima com suas próprias características. Não há demérito em documentar essas narrativas brasileiras. O problema é apresentá-las como "mitos yorùbá" quando são reinterpretações que divergem das narrativas tradicionais iorubanas.

Outros mitos são ainda mais problemáticos: não há evidência clara sobre sua origem. Parecem arranjos de várias histórias para justificar práticas diaspóricas. Um exemplo é dizer que Ọya é a mãe do cemitério — uma associação que faz sentido no contexto brasileiro, mas não tem o mesmo peso nas tradições yorùbá da Nigéria. São sincretismos e inovações religiosas brasileiras apresentadas como tradição yorùbá milenar.

O livro funciona perfeitamente para fundamentar práticas candomblecistas. Se você é praticante ou estudioso do candomblé brasileiro, oferece uma sistematização útil das narrativas que circulam nas casas de santo. Mas não auxilia quem gostaria de conhecer o culto tradicional yorùbá, pois simplesmente não o apresenta. Isso é uma limitação séria para uma obra intitulada "Mitos Yorubás".

Agora compreendo melhor o que Luiz L. Marins chama de fenômeno "Acadafro". No ambiente religioso, um acadêmico ganha status por ser pesquisador; no ambiente acadêmico, ganha status por ser praticante. Ninguém, em nenhum dos dois lugares, o questiona adequadamente. Essa dupla legitimidade cria uma zona de conforto onde o autor pode dizer o que quiser sem o escrutínio rigoroso de contextos puramente acadêmicos ou religiosos.

José Beniste se beneficia dessa posição híbrida. Como ogã e praticante, tem legitimidade religiosa. Como historiador, tem legitimidade acadêmica. Mas essa dupla posição deveria trazer dupla responsabilidade — rigor acadêmico e honestidade religiosa. É justamente aqui que o livro falha: não distingue claramente entre tradição yorùbá e inovação diaspórica brasileira.

Dou nota 4 porque, entre os livros disponíveis no mercado brasileiro, é um dos melhores. A escrita é competente, o yorùbá é bem trabalhado, as notas são úteis e a fundamentação teórica inicial é sólida. Para quem quer entender as narrativas do candomblé brasileiro, é uma referência importante.

Mas está longe de ser "mitos yorùbá". São contextualizações yorùbá adaptadas ao pensamento brasileiro sobre os orixá. É um livro sobre como brasileiros reinterpretaram e transformaram narrativas de origem yorùbá para o contexto diaspórico. Isso é um objeto de estudo legítimo — desde que apresentado honestamente como tal.

O problema não está nas adaptações, mas na falta de transparência. Se o livro se chamasse "Mitos do Candomblé: Adaptações Brasileiras de Narrativas Yorùbá", seria honesto e útil. Mas ao se apresentar como "Mitos Yorubás", cria confusão entre tradição iorubana e prática diaspórica.

Em resumo: útil para praticantes e estudiosos do candomblé brasileiro, mas inadequado para quem busca compreender a tradição yorùbá autêntica. Leia com senso crítico e consciência das limitações.

Bom para o candomblé brasileiro, mas longe de ser mitos yorùbá autênticos

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