
Nexus
Uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à inteligência artificial
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Narrado por:
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Camilo Schaden
Sobre este áudio
Do autor de Sapiens, esta é a história fascinante de como as redes de informação definiram nosso mundo.
Nos últimos 100 mil anos, nós acumulamos um imenso poder. No entanto, mesmo com todas as nossas descobertas e conquistas, estamos diante de uma crise sem precedentes, com um colapso ambiental iminente e desinformação correndo solta. A chegada da era da inteligência artificial também representa um perigo para nós. Afinal, por que somos tão autodestrutivos apesar de tudo o que conquistamos?
Nexus olha para a nossa história e avalia como o fluxo de informações moldou a nós e o mundo onde vivemos. Em uma narrativa que vai desde a Idade da Pedra e passa pela canonização da Bíblia, pelas primeiras caças às bruxas modernas, pelo stalinismo, pelo nazismo e pelo ressurgimento do populismo hoje, Yuval Noah Harari nos convida a examinar a complexa relação entre informação e verdade, burocracia e mitologia, sabedoria e poder. O autor explora como as várias sociedades e sistemas políticos utilizaram informações para atingir seus objetivos—para o bem e para o mal—, assim como as escolhas que precisamos fazer num momento em que a inteligência não humana ameaça a nossa própria existência.
A informação não é a matéria-prima da verdade, tampouco uma mera arma. Nexus explora o meio-termo esperançoso entre esses extremos e redescobre a humanidade que nos une.
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Sem muito Nexus
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O título já é um convite à reflexão: "Nexus" além de remeter à ideia de "conexão" ou "portal", mas também carrega o trocadilho em inglês "next us" – o próximo de nós. Este duplo sentido antecipa a discussão central do livro: como as redes de informação moldam a humanidade e, agora, como a inteligência artificial (IA) se torna um agente externo, capaz de criar e influenciar realidades de maneira inédita.
Logo no primeiro capítulo, Harari mostra que a IA não é apenas uma ferramenta, mas um novo oráculo, para o qual governos e organizações já começam a terceirizar decisões. Ele alerta: “Apesar da espantosa quantidade de informação à nossa disposição, somos tão suscetíveis à fantasia e à ilusão quanto nossos ancestrais antigos. O nazismo e o stalinismo são apenas dois exemplos recentes da insanidade de massa que, vez ou outra, engolfa mesmo sociedades modernas” (p. 10). Essa constatação é o ponto de partida para uma análise profunda sobre a relação entre informação, verdade e poder.
Harari estrutura sua análise a partir de três tipos de verdade: objetiva (independente de crença, como a água molha), subjetiva (experiências individuais) e intersubjetiva (realidades que só existem porque muitos acreditam nelas, como dinheiro, religiões e nações). Ele afirma: “As redes amplas unem os membros e criam ordem baseando-se em ficções e fantasias. Foi assim que chegamos, por exemplo, ao nazismo e ao stalinismo. Eram redes excepcionalmente poderosas, unidas por ideias excepcionalmente ilusórias” (p. 12).
O livro traça uma linha histórica desde as pinturas rupestres até a era digital, mostrando como a evolução das redes de informação – escrita, imprensa, rádio, TV, internet – foi essencial para a construção de sociedades complexas. Com a chegada da IA, entramos em um novo paradigma: “Em Nexus, a IA não é vista como uma ferramenta que ajuda na propagação de verdades intersubjetivas, mas sim um agente externo, capaz, pela primeira vez na história da humanidade, de gerar novas verdades intersubjetivas, habilidade até então apenas concedida a nós, Sapiens”.
Um dos pontos mais instigantes é a crítica à “noção ingênua de informação”, que pressupõe que mais dados levam, inevitavelmente, à verdade e à sabedoria. Harari desmonta essa ideia: “A noção ingênua sustenta que, ao reunirem e processarem uma quantidade muito maior de informação do que os indivíduos conseguiriam, as grandes redes alcançam um melhor entendimento da medicina, da física, da economia e de vários outros campos, e com isso elas se tornam não só poderosas, como também sábias... Essa noção pressupõe que, em quantidades suficientes, a informação leva à verdade, e a verdade, por sua vez, leva ao poder e à sabedoria... Embora possam, às vezes, surgir em momentos de crise histórica, as redes ilusórias ou enganosas estão fadadas, no longo prazo, a ser derrotadas por rivais mais lúcidos e honestos” (p. 13).
No entanto, o excesso de informação, sem mecanismos de autocorreção, pode amplificar ilusões, mitos e desinformação – fenômeno visível nas redes sociais e na polarização política contemporânea. Harari compara os sistemas religiosos, que mantêm dogmas inalterados, aos sistemas científicos, que se baseiam na revisão constante de verdades. O perigo, segundo ele, é que a IA pode operar sem esses freios institucionais, promovendo distorções em escala global: “Não há por que esperar que a IA rompa esse padrão e privilegie a verdade. A IA não é infalível... na ausência de sólidos mecanismos de autocorreção, as inteligências artificiais são capazes de promover concepções de mundo distorcidas, possibilitando gigantescos abusos de poder e instigando uma nova e pavorosa caça às bruxas” (p. 398)
O autor não se furta a abordar os riscos: alerta para cenários apocalípticos em que a IA, descontrolada, poderia desestabilizar sociedades inteiras, promovendo abusos de poder e novas "caças às bruxas" digitais. Ainda assim, Harari rejeita visões fatalistas sobre a natureza humana e as relações internacionais, argumentando que a história é feita de mudanças e que cooperação, simbiose e altruísmo são tão fundamentais quanto a competição. Ele defende que, embora a tecnologia imponha desafios inéditos, cabe à humanidade construir instituições robustas, com mecanismos de autocorreção, para garantir que a informação seja usada de forma ética e responsável.
A leitura de Nexus é marcada por paralelos históricos e provocações filosóficas. Harari não oferece respostas fáceis, mas convida o leitor a questionar se estamos caminhando para uma utopia tecnológica ou para uma distopia informacional. O livro é especialmente relevante para quem se interessa pelo impacto da IA, pelo papel dos algoritmos na sociedade e pelos dilemas éticos das novas tecnologias.
Para quem já apreciava Harari, Nexus é uma continuação natural de sua trajetória intelectual, agora com foco ainda mais incisivo no futuro digital. Para novos leitores, é uma porta de entrada acessível e instigante para pensar o papel da informação na construção – e possível desconstrução – da humanidade.
Por fim, sempre considerei Homo Deus o melhor trabalho de Harari, mas agora, Nexus se tornou meu favorito. Como sociólogo e amante de tecnologias, vejo na antropologia digital um tema fascinante e fundamental para compreendermos os desafios do nosso tempo. Recomendo fortemente a leitura – é, sem dúvida, uma obra fabulosa.
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