Episódios

  • A dificuldade de pedir ajuda
    Apr 18 2026

    Nesse episódio, falamos sobre a dificuldade de pedir ajuda. Partimos de Freud, em “Introdução ao narcisismo” (1914), para pensar aqueles sujeitos que não conseguem depender de ninguém devido a uma onipotência narcísica que torna o amparo quase intolerável. Num outro extremo, recorremos a Ferenczi (1933), para refletir sobre os efeitos de traumas precoces em sujeitos que foram obrigados a amadurecer antes do tempo e a carregar a vida nas costas. Vale lembrar que, quando pedir ajuda nunca pôde ser uma experiência segura, a autossuficiência se organiza como defesa. Também conversamos sobre os efeitos clínicos desse funcionamento. No fim, Filipe leu um trecho de seu artigo “A recusa do amparo: defensividade e medo da dependência”, que aborda o manejo desses pacientes na perspectiva winnicottiana.

    Exibir mais Exibir menos
    58 minutos
  • Como nossos pensamentos afetam a nossa saúde mental
    Mar 27 2026

    Nesse episódio, partimos de uma descoberta da neurociência para chegar onde a psicanálise já estava há muito tempo: os nossos pensamentos não são eventos isolados, particulares, que acontecem num plano separado da vida real. Eles são atos. Atos psíquicos que têm consequências biológicas, relacionais e subjetivas. Um estudo publicado na “Biological Psychology” mostrou que pensamentos negativos ruminativos aumentam os níveis de cortisol e alfa-amilase - marcadores de estresse no corpo - mesmo em repouso. Ou seja: a mente que rumina adoece o corpo o tempo todo. Fechamos o episódio com trechos do livro “O Perigo de Estar Lúcida”, de Rosa Montero.


    *Artigo científico do episódio:

    Engert, V., Smallwood, J., & Singer, T. (2014). Mind your thoughts: associations between self-generated thoughts and stress-induced and baseline levels of cortisol and alpha-amylase. Biological Psychology, 103, 283–291.

    🔗 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25457636/

    Exibir mais Exibir menos
    53 minutos
  • Exposição demais, intimidade de menos
    Jan 24 2026

    Vivemos cercados de imagens, opiniões e respostas imediatas, e, ainda assim, com uma dificuldade crescente de manter encontros reais. Nesse episódio, falamos sobre a fadiga de ser visto o tempo todo, a confusão entre presença e performance, e o que se perde quando tudo precisa virar uma espécie de vitrine. A partir de Byung-Chul Han, Winnicott e Hannah Arendt, pensamos como o colapso entre o público e o privado empobrece os vínculos e torna o outro cada vez menos suportável em sua inteireza. No final, recorremos à literatura e compartilhamos uma reflexão pessoal sobre a internet, a exposição e a necessidade de preservar zonas não capturáveis do ser.

    Exibir mais Exibir menos
    1 hora e 12 minutos
  • A fantasia de abandono
    Jan 10 2026

    Nem todo abandono é real; muitas vezes, ele é fantasiado e vivido antes mesmo de qualquer perda concreta. Nesse episódio, conversamos sobre a fantasia de abandono; ou seja, o medo persistente de perder o outro quando ele ainda está ali. Para tanto, articulamos algumas contribuições de Freud, Klein, Winnicott e Lacan para pensar como o desamparo, o objeto interno, a falha ambiental e o lugar no desejo do Outro atravessam nossos vínculos amorosos, familiares e de amizade. A partir de cenas do cotidiano, refletimos sobre por que antecipamos perdas, por que o silêncio pode ser vivido como ameaça e como a análise pode ajudar a diferenciar a ausência real de uma marca traumática.

    Exibir mais Exibir menos
    56 minutos
  • O estigma da loucura
    Jan 4 2026

    O que chamamos de loucura, afinal? Nesse episódio, refletimos sobre como o sofrimento psíquico segue sendo tratado com medo, controle e abandono.

    A partir de uma tragédia que chocou o Brasil, discutimos negligência institucional, políticas públicas e recusa em reconhecer a subjetividade do sofrimento psíquico.

    Em diálogo com Foucault, Basaglia, Freud e Winnicott, propomos uma escuta ética da “loucura”. Este é um episódio a respeito daquilo que a sociedade prefere afastar - e que, por isso mesmo, insiste em retornar.

    *O caso clínico lido ao final está publicado no livro “O emergir da Unicidade Analítica: no coração da psicanálise” (Blucher, 2025), de autoria de Ofra Eshel.

    Exibir mais Exibir menos
    1 hora e 8 minutos
  • Quando um não quer, dois não brigam
    Nov 15 2025

    Todo mundo conhece o ditado: “Quando um não quer, dois não brigam”, mas será que isso funciona quando olhamos pelas lentes da psicanálise? Nesse episódio, tomamos como base as teorias de Freud, Klein e Winnicott para pensar por que, às vezes, mesmo dizendo que “não queremos brigar”, já estamos dentro do conflito.

    Exibir mais Exibir menos
    51 minutos
  • A tristeza em uma cultura de performance
    Nov 9 2025

    Nesse episódio, falo sobre um pouquinho sobre o meu novo livro, “Um elogio à tristeza” (Editora Record, 2025).


    Proponho uma reflexão sobre como as redes sociais e a cultura da performance moldam nossa relação com a vulnerabilidade (a nossa e a dos outros). Vivemos tempos em que ser feliz virou uma obrigação e, nesse cenário, a tristeza parece não ter mais lugar.

    Comento como a busca por sucesso e aprovação nos afasta da autenticidade e do direito de simplesmente estar triste, sem culpa ou pressa para “superar” alguma coisa.

    Exibir mais Exibir menos
    48 minutos
  • O que os psiquiatras não te contam
    Oct 18 2025

    Você já saiu de uma consulta de dez minutos com uma receita na mão e a sensação de que ninguém te escutou de verdade?

    Nesse episódio, conversamos com @julianabelodiniz, psiquiatra formada pela USP, doutora em Psiquiatria pela mesma instituição e pesquisadora com pós-doutorado na área, além de especialista em pesquisa clínica pela Universidade de Harvard.

    Juliana é autora do livro “O que os psiquiatras não te contam” (Fósforo, 2025), uma obra que questiona a hipermedicalização da vida e a pressa da nossa cultura em querer silenciar o sofrimento. Falamos sobre o papel da escuta, os limites da medicação e a urgência de resgatar o humano no cuidado em saúde mental. Este é um episódio para pensar o que perdemos quando transformamos a dor em diagnóstico - e o tempo em comprimido.

    Exibir mais Exibir menos
    1 hora e 8 minutos